Consequentemente, os governos de todo o mundo estão a impor objetivos às indústrias de produção industrial, com vista a forçar a transição para uma economia com baixas emissões de carbono.
De facto, de acordo com a Agência de Proteção do Ambiente, as organizações industriais são responsáveis por, pelo menos, 21% das emissões globais de gases com efeito de estufa. Por conseguinte, estão sob pressão, tanto dos consumidores como dos governos, para cumprirem rapidamente os objetivos de redução das suas emissões. Neste contexto, muitas empresas estão a olhar para a transformação digital como uma abordagem possível para atingir estes objetivos.
As empresas da região Ásia-Pacífico, por exemplo, já estão muito sensibilizadas para as questões relacionadas com o clima. De acordo com o CDP Global, metade das 2511 empresas (54%) que apresentam relatórios através do CDP estão a integrar processos para identificar, avaliar e gerir questões relacionadas com o clima na sua gestão global de riscos. A Austrália e a Nova Zelândia registam a taxa mais elevada (58%) de empresas que utilizam a análise de cenários relacionados com o clima para informar as suas estratégias empresariais, seguidas do Sudeste Asiático (53%), o que sugere uma liderança emergente nas sub-regiões da Ásia-Pacífico. Estas mudanças orientadas pela sustentabilidade vão exigir uma reafetação de capital, uma reavaliação dos processos industriais e uma rápida aceleração da transformação digital. As organizações industriais que não se adaptarem a este novo mundo vão deixar, provavelmente, de existir.
A transformação digital e a sustentabilidade andam de mãos dadas
Na Schneider Electric, a sustentabilidade é há muito tempo um pilar central da estratégia empresarial. Desde 2005, ajudámos os nossos clientes a poupar aproximadamente 120 milhões de toneladas de emissões de CO2. Os nossos especialistas trabalham com parceiros da cadeia de abastecimento para identificar e conseguir poupanças de energia e benefícios de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida da criação, entrega e suporte do produto. Em reconhecimento do desempenho de sustentabilidade da Schneider Electric, a Corporate Knights, a revista de maior circulação mundial sobre capitalismo limpo, nomeou-nos recentemente como a empresa mais sustentável do mundo no seu índice ‘Global 100’. Atribuímos grande parte deste sucesso à nossa capacidade de digitalizar as nossas operações. Para além disso, obtemos 70% das nossas receitas através da venda de soluções sustentáveis, enquanto 73% dos nossos investimentos vão para o desenvolvimento de soluções mais inovadoras e ainda mais sustentáveis.
Muitos dos nossos clientes industriais pediram-nos que partilhássemos com eles a nossa experiência em sustentabilidade e transformação digital para os ajudar a enfrentar os desafios das emissões de gases de efeito de estufa e da transformação empresarial. À medida que nos aproximamos mais destas organizações, ajudamo-las a implementar projetos-piloto de transformação digital e focamo-nos na estratégia a longo prazo de acelerar e expandir as suas transformações.
Táticas e estratégias para a transição para uma maior sustentabilidade
O processo fundamental para facilitar estas transições para operações mais digitalizadas e sustentáveis envolve workshops relacionados com a ambição, avaliações comparativas da maturidade digital, o desenvolvimento de modelos preditivos de sustentabilidade e um grande foco na criação de experiências excecionais para os clientes. Estes exercícios trazem respostas a questões como: tenho uma empresa ágil? Posso melhorar o meu retorno sobre o investimento? Como posso gerir os meus ativos? Quão sustentáveis são as minhas operações?
Estas táticas apoiam os pilares tradicionais das estratégias de eficiência e rentabilidade, fiabilidade e desempenho, e segurança e proteção das empresas, e acrescentam um quarto pilar central: a sustentabilidade e a transformação empresarial.
Utilizar dados para enfrentar 3 grandes desafios
A implementação destas estratégias definidas consegue-se se nos focarmos em três desafios e na forma como a captação, a consolidação e a análise de dados podem ajudar a ultrapassar os obstáculos de negócios que esses desafios representam:
- Associar a sustentabilidade à Indústria 4.0 – 5.0: Os processos de produção industrial de ponta a ponta são os motores que criam os dados de que os stakeholders necessitam para introduzir melhorias. A extração e análise destes dados inteligentes através de tecnologias digitais ajuda a reduzir as emissões, não apenas porque aborda as ineficiências dos processos, mas também porque revela oportunidades de sustentabilidade. Na maioria das organizações, os “sintomas” atuais de que os seus dados são insuficientes incluem atrasos na produção, transporte deficiente de produtos, processamento ineficiente, inventário desnecessário, movimentos desnecessários de produtos, defeitos de produtos e excesso ou falta de produção. As organizações com visão de futuro estão a encontrar formas de utilizar uma mesma metodologia, baseada na digitalização, para se focarem na melhoria da sustentabilidade.
- Acelerar as reduções de emissões: 2030 está apenas a seis anos de distância, e muitas empresas industriais estão a calcular se vão conseguir atingir os objetivos sustentáveis exigidos pelo governo até lá. Qualquer défice resultará em coimas significativas ou em compras substanciais de créditos de carbono para evitar essas coimas. Por outro lado, as empresas industriais que conseguirem alcançar operações altamente sustentáveis vão estar sentadas no lugar do condutor. A Blackrock, uma organização internacional de gestão de investimentos, encontrou fortes indícios de que as empresas com melhores perfis ambientais, sociais e de governação (ESG) têm um desempenho superior ao dos seus pares. A Tesla, um dos principais fabricantes de automóveis elétricos, já está a gerar milhares de milhões em receitas adicionais através da venda de créditos ambientais (angariou 3.3 mil milhões de dólares em créditos regulamentares nos últimos três anos; e 1.6 mil milhões de dólares, pouco menos de metade, foram obtidos só em 2020). As empresas têm-se focado em projetos de sustentabilidade com um curto período de retorno do investimento. Chegou o momento de dar passos corajosos e procurar projetos de negócios que tenham um retorno do investimento a médio e longo prazo.
- Adotar a transformação digital: os benefícios da sustentabilidade e da transformação digital andam de mãos dadas. Para alcançar a verdadeira neutralidade de carbono, as empresas precisam de sofrer uma transformação digital. Isto deve-se ao facto de os novos dados gerados através da transformação digital resultarem na criação de novos processos corporativos que, por sua vez, conduzem a maiores eficiência, agilidade e sustentabilidade. A transformação digital impulsiona fatores de crescimento empresarial como a visibilidade em tempo real, a aprendizagem preditiva e automática, a análise detalhada do desempenho, a convergência e sinergia TI/TO e a implementação de plataformas IoT baseadas em dados. As recompensas de uma maior quantidade e qualidade dos dados incluem o acesso a técnicas de gestão de precisão que permitem operações altamente sustentáveis.
Em suma, a transformação digital oferece um caminho promissor para atingir a neutralidade carbónica industrial, capacitando as empresas a otimizarem operações, reduzirem emissões e aumentarem a sustentabilidade. Ao integrar tecnologias digitais avançadas com estratégias de sustentabilidade, as empresas industriais podem criar soluções mais eficientes, ágeis e amigas do ambiente, assegurando não apenas o cumprimento das metas regulamentares, mas também uma vantagem competitiva significativa num mercado cada vez mais focado em práticas sustentáveis.
Aroa Ruzo
Country Manager Portugal
Schneider Electric Portugal
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