Revista Manutenção

indústria do cimento

Como pode a indústria do cimento descarbonizar-se e preservar o valor para os acionistas?

De acordo com o Imperial College of London, a indústria de cimento contribui com 7% das emissões globais de CO2 relacionadas com atividades humanas.

A crescente preocupação relativa ao aquecimento global faz aumentar a pressão de governos, acionistas, clientes, parceiros da cadeia de abastecimento e comunidades locais sobre as empresas globais de produção de cimento, no sentido de descarbonizarem as suas operações a um ritmo mais acelerado. O cimento é um componente indispensável para alimentar a indústria da construção em todo o mundo; no entanto, a sua produção é uma fonte significativa de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Cada tonelada de cimento produzida emite até 622 kg de CO2 e, em média, uma fábrica de cimento produz aproximadamente 3,5 mil milhões de toneladas a cada ano. De acordo com o Imperial College of London, a indústria de cimento contribui com 7% das emissões globais de CO2 relacionadas com atividades humanas. Estes números têm de diminuir drasticamente para que seja possível alcançar o processamento e a produção sustentáveis de cimento.

Ao mesmo tempo, esta indústria está a enfrentar disrupções provocadas pela necessidade de digitalizar as operações para se manter competitiva. A inação pode significar que será deixada para trás, uma vez que a disparidade entre os vencedores e os perdedores da era digital se tornou ainda mais óbvia durante a pandemia de COVID-19. As empresas que investiram na digitalização estão a emergir muitos mais ágeis e flexíveis, à medida que adaptam rapidamente os seus processos às mudanças do mercado; em sentido contrário, as organizações que tentam manter o seu business as usual estão a perder quota de mercado muito rapidamente.

Perante estes desafios, como pode a indústria de cimento descarbonizar as operações e, ao mesmo tempo, preservar o valor para os acionistas?

Fazer o que sempre foi feito não poderá resolver este problema. Os fabricantes líderes devem, agora, incorporar serviços digitais e abordagens inteligentes que fazem a diferença. Felizmente, estão a surgir novas tecnologias digitalizadas de eletrificação e eficiência do processamento, permitindo a criação de fábricas de cimento inteligentes que reduzem drasticamente as emissões de CO2.

Fábricas de cimento inteligentes: mais tempo de atividade e menos custos de suporte

Nesta indústria, a promessa da digitalização está a acontecer em várias áreas importantes. Uma delas é a implementação de programas de serviços de manutenção preditiva ou baseada em condições, com vista a reduzir drasticamente os custos com o tempo de inatividade de equipamentos da infraestrutura. Estes serviços oferecem monitorização remota de equipamentos em tempo real, análises preditivas que permitem a deteção precoce de quaisquer anomalias comportamentais e, ainda acesso fácil a profissionais especializados que podem recomendar ações com rapidez.

Num modelo de manutenção preditiva, os trabalhos de manutenção são agendados de acordo com avaliações de diagnóstico baseadas em dados, que determinam quando devem ser realizados. A monitorização da condição dos equipamentos oferece dados de tendências para ajudar a antecipar as necessidades de manutenção futuras.

Na área de manutenção dos sistemas elétricos, por exemplo, os proprietários já não têm que remover e substituir a infraestrutura elétrica existente para poderem tirar partido dos benefícios da digitalização. O simples facto de equiparem os transformadores e o quadro de distribuição com sensores abre a porta à recolha de dados de desempenho dos equipamentos. Estes podem, então, ser analisados ​​de forma rápida e fácil na Cloud para identificar os primeiros sinais de falhas, iminentes ou a longo prazo, dos equipamentos. Assim que os problemas são identificados, geram-se alertas de forma automática, para que se possam agendar as inspeções, reparações ou substituições necessárias antes de qualquer falha imprevista do sistema. Os dados em tempo real são apresentados em painéis de fácil interpretação que indicam o estado mais recente dos principais parâmetros operacionais, como a condição, o desempenho e o consumo de energia.

Os serviços modernos impulsionam os níveis de sustentabilidade

Estas ações resolvem questões de sustentabilidade a vários níveis. Com uma melhor manutenção dos equipamentos, as máquinas e a infraestrutura funcionarão com mais eficiência, consumindo menos energia e reduzindo as emissões de carbono. Os equipamentos também terão um ciclo de vida mais longo; o que, a um nível macro, ajudará a conservar as matérias-primas, evitando a necessidade da produção mais frequente de novos equipamentos para substituir os antigos.

Empresas como a Schneider Electric estão bem posicionadas para apoiar as indústrias pesadas, como a do cimento, durante a sua transição para infraestruturas de fábricas inteligentes de alta eficiência. Soluções como o EcoStruxure Asset Advisor e o EcoStruxure Power Advisor facilitam as fases de recolha e análise de dados de um programa de manutenção preditiva. A Schneider Electric também oferece acesso a especialistas remotos que trabalham no hub de serviços conectados e que podem enviar-lhe recomendações para corrigir variações anómalas e, também dão resposta aos alertas de alta prioridade.

Em suma: os serviços de digitalização modernos já são mesmo um imperativo para que as fábricas de cimento, consigam operações mais sustentáveis e também mais seguras, e possam oferecer aos acionistas a resposta “verde” que tanto exigem.

Gabriel Longo
Secure Power & Field Services Sales Manager
Schneider Electric

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