Revista Manutenção

UC avalia impacto ambiental do ciclo de vida das diferentes tecnologias de motores elétricos

UC avalia impacto ambiental do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos

Um dos objetivos do estudo passou por avaliar os impactos ambientais do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos, comparando motores SCIM com eficiência IE3, motores SynRM e PMSM, com eficiência IE5. 

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a avaliar o impacto ambiental do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos. Até ao momento, os resultados obtidos mostram que os motores síncronos de relutância (SynRM) com eficiência IE5 (maior nível de eficiência normatizado) apresentam uma maior eficiência operacional, mas têm maiores impactos ambientais na fabricação. Esta investigação contou com a participação ativa da FCTUC, tendo sido orientada por Aníbal Traça de Almeida (ISR), e apoiada pelos investigadores João Fong (ISR) e Carlos Hernandez, do Centro para a Ecologia Industrial (CIE-FCTUC).

“Esta questão deve-se fundamentalmente a duas possibilidades: a primeira, é a utilização de mais materiais para a redução de perdas, e a segunda, é pela utilização dos materiais específicos, como os ímanes permanentes de Neodímeo-Ferro-Boro. Para a extração e processamento de neodímio os impactos são elevados, tanto na terra como na água, revela Danilo de Souza, aluno de doutoramento do Institute of Energy and Environment (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), Brasil, de Erasmus no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da FCTUC. Um dos principais objetivos do projeto passou por avaliar os impactos ambientais do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos, comparando motores de gaiola de esquilo de indução (SCIM), que representam cerca de 95% dos motores utilizados na indústria, com eficiência IE3 (nível mínimo de eficiência permitido), motores SynRM e PMSM, com eficiência IE5. 

“Os motores síncronos de ímanes permanentes (PMSMs) apesar de serem os mais eficientes, têm um impacto ambiental mais significativo, especialmente no fabrico e eliminação, devido à extração de metais de terras raras e aos desafios da reciclagem.” Desta forma, explica o investigador, “tentámos compreender os impactos ambientais destas tecnologias, desde a extração de matérias-primas, passando pela produção, pela etapa mais impactante, que é eficiência energética do uso, até à fase de fim de vida, sendo considerado o descarte ou os cenários de reciclagem. Tipicamente, analisa-se apenas a etapa de uso, acabando por se negligenciar as demais. Portanto, esta investigação acaba por contribuir para que esta questão seja ultrapassada”, acredita.

Universidade de Coimbra
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