Em declarações à Revista Manutenção, João Cruz, Presidente da APMI, faz um balanço do evento e assume que a inovação tecnológica cada vez mais presente na manutenção pode atrair novas gerações de engenheiros e técnicos.
Revista Manutenção (RM): Que balanço é possível fazer destes dois dias intensos de Congresso?
João Cruz: Em relação ao Congresso, desde o seu ponto de partida quisemos fazê-lo em Lisboa. Nos últimos dez anos tinham sempre decorrido na zona Norte e agora era importante vir a Lisboa. Nos dois dias tivemos cerca de 500 participantes, 20 patrocinadores, uma enorme diversidade e qualidade dos trabalhos técnicos apresentados por especialistas nesta área da manutenção e gestão de ativos, e grandes players a nível de Keynote Speakers para falarem da atualidade do setor. Saliento, igualmente, a interligação do mundo empresarial/industrial com o mundo académico, que funcionou de forma exemplar, uma vez que as visões dos dois lados são muito importantes para se chegar a um objetivo comum.
RM: Como é que as reflexões que saírem daqui vão ser corporizadas para o rumo que a manutenção pode seguir nos próximos tempos?
João Cruz : Não tenho grandes dúvidas de que este é o caminho. Praticamente todas as apresentações projetaram vanguarda. Claro que num contexto do que existe disponível, mas muito inclinado para as novas tecnologias, a inovação e a IA. E estas questões foram muito partilhadas durante o nosso Congresso. Obviamente que há um longo caminho a percorrer, as nossas PME são uma fatia do mercado que necessita de muito investimento para aceder e partilhar estas novos tecnologias e inovações, mas este evento foi a plataforma ideal para abordar essas tendências que vão ser concretizadas, espero eu, no mais curto espaço possível.
RM: Um aspeto de que também se falou, embora mais diluído nas variadas temáticas, foi a escassez de mão-de-obra especializada, dificuldade que se cruza com outra, que é alguma dificuldade em atrair jovens para esta carreira da manutenção e gestão de ativos.
João Cruz : Algumas apresentações referiram essas dificuldades. Na verdade, os jovens de hoje estão mais aptos do que as gerações anteriores em relação às novas tecnologias. Com a divulgação constante de novas abordagens na manutenção que privilegiam o uso de tecnologias inovadoras e avançadas poderá ser um momento de atração para engenheiros e técnicos que estão a entrar no mercado. O chão de fábrica continua a ser importante, mas com muito mais tecnologia, novas visões e tendências. Acredito que isso fará diferença.
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